15.3.06

Geraldo Alckmin e João Campos - I

Tive a honra de entregar em mãos ao atual candidado à presidência da República, Geraldo Alckmin, um exemplar do meu primeiro livro, "Reclame, o direito é seu! Manual do consumidor indignado", em evento realizado pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. Posteriormente, recebi uma carta de congratulações, assinada de próprio punho.
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Geraldo Alckmin e João Campos - II

Geraldo Alckmin e João Campos - III

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14.3.06

Não sobrou maçã

Não se iludam com o que aconteceu na Câmara Federal, que absolveu, vergonhosamente, num grande show explícito de irresponsabilidade e escárnio contra todo o povo brasileiro, dois mensaleiros corruptos, que mamaram nas tetas do valerioduto.

Não importava o partido, o povo pensava ser possível retirar esse pessoal do cesto para não contaminar outras maçãs. Hoje, com certeza, se sabe que não há maçãs a salvar e o próprio cesto está podre até a última fibra.

Então, vejamos que mensagem a Câmara nos mandou e, à véspera de um período eleitoral, que lições podemos extrair.

A primeira é que o tecido do atual Congresso foi minado pela corrupção e nada há mais a fazer, senão fechar para balanço, desinfetar, pintar o prédio, matar as baratas e escolher outro time de deputados e senadores.

Por que isso? Porque os mesmos corruptores que financiaram as campanhas dos atuais deputados e senadores estão a postos para fazê-los retornar para mais um mandato. Afinal, a conta não foi totalmente cobrada ainda, os deputados e senadores ainda não entregaram tudo o que venderam durante a campanha.

A principal razão, contudo, é que mais fácil será manipular os atuais políticos, massa de manobra já adquirida, cujos manuais de instrução de uso já foram lidos e assimilados, do que tratar com novos eleitos, mente fresca e cheia de planos e inspiração ética (embora se saiba que tudo isso morre no primeiro ano de mandato).

A segunda lição da mensagem é que político eleito não liga a mínima para opinião pública. Chegando ao seu curral eleitoral basta enganar o povo dizendo que votou pela cassação (por isso o voto secreto), mas... venceu a maioria.

Portanto, após essa, guardemos a terceira lição: não se deve votar em político comprometido com as práticas ilícitas desvendadas pela CPI e, para isso, basta eliminar o voto de reeleição. Ou gente nova ou nada. Creia-me, leitor, não há esperança se esse povo voltar para Brasília.

Nesse sentido, a Câmara nos prestou um grande serviço, pois se havia alguma dúvida quanto ao destino dos mensaleiros ou dos praticantes do chamado “caixa 2”, ela se dissipou completamente. Todos estão comprometidos até a raiz e vale o que eu já disse aqui mesmo, há algum tempo: o Congresso é formado por quem é corrupto, por quem foi incompetente em se corromper e por quem ainda espera ser comprado pelos corruptores. O resto é ficção.

Controle de qualidade

A explicação mais comum para a origem do Dia Internacional da Mulher é que, no dia 8 de março de 1857, tecelãs de Nova Iorque fizeram uma grande greve, ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho como redução na carga de trabalho, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com violência, as mulheres foram trancadas dentro da fábrica e esta foi incendiada, causando a morte de pelo menos 130 grevistas. Em 1910, na Dinamarca, decidiu-se que 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às manifestantes de 1857, mas só em 1975 a ONU oficializou a homenagem.

Uma das mais expressivas homenagens à mulher, em seu dia internacional, é o discurso de Luis Alberto Moreno, Presidente do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, reconhecendo que “as mulheres são um bastião de desenvolvimento equilibrado e sustentável para a América Latina, para o Caribe e para as regiões onde o BID tem representações”.

Ao acrescentar que “o reconhecimento se estende também à decisivas contribuições das mulheres ao setor privado e nas iniciativas sociais, culturais e outras que beneficiam a sociedade”, Moreno diz que um de seus principais objetivos à frente do banco é nomear outras mulheres para os seus principais cargos de direção, numa demonstração de que a mulher se mostrou mais eficiente nesse tradicional clube do bolinha.

Lembro, nesse ponto, que o board de diretores do banco internacional já havia reconhecido, há três anos, que a mulher representava o principal alvo dos investimentos da instituição e declarava, com todas as letras, que empréstimos para a mulher tinham índice praticamente zero de inadimplência, o dinheiro era sempre bem aplicado, os projetos realizados rigorosamente e quase não havia sinal de corrupção quando a mulher estava à frente dos organismos públicos.

Registrei em meu livro “Cidadão de Festim” e num artigo (“Brasil quer colo”, publicado aqui mesmo) que as mulheres são os seres mais articulados, organizados, honestos e confiáveis com que Deus nos presenteou. Não me aparto da imagem da dona-de-casa que conhece o carteiro, o padeiro, o leiteiro, toda a vizinhança, que opina sobre a roupa do marido, que veste os filhos para a escola, que prepara o lanche dos meninos, que faz o almoço, que vai ao mercado, sabe quanto aumentou o feijão e o chuchu e, de quebra, sabe que tipo de vacina os filhos tomaram. São informações que nenhum homem detém, com certeza. Por essa experiência da vacina, inclusive, já passei e fiquei com cara de bobo à frente da pediatra.

Bilhões de dólares são investidos em publicidade buscando atrair a atenção dessa mulher especial, que, sem saber (ou, quem sabe, sabendo de tudo), manda em tudo e em nós todos. Repito, a mulher é o ser mais informado e articulado da sociedade e, como digo sempre, nosso controle de qualidade. Esta é minha homenagem sincera, que ninguém pode contestar e que vale para todos os dias do ano.

7.3.06

Lendo e aprendendo

Bem, agora os ladrões de arte já sabem que os quadros roubados valem 110 milhões de dólares. Ou de reais? Ou de euros? Isso não importa muito mais.

Por que para a imprensa esses valores são tão importantes? Será que aumenta o interesse da notícia? Não bastava dizer, como foi dito, que os quadros eram de Picasso e Matisse? Todo mundo inteligente sabe que num leilão internacional esses quadros valem milhões.

Aqui, na terrinha, a informação só atraiu a atenção dos bandidos e isso aumentou o volume de roubos. Tudo começou com alguns castiçais de prata em igrejas do interior. Os malandros queriam derreter a prata e vender aqui e acolá.

A matéria de então disse que a arte sacra estava cada vez mais valorizada no mundo do crime. Pronto. Começaram a levar quadros e imagens religiosas e agora foram aos museus. Apareceram, como era de esperar, os “assessores” do crime, entendidos em arte, claro. Os bandidinhos mixurucas estavam com listas! Com listinhas onde iam anotando: o Picasso é assim, o Matisse é assado, esse Rubens tem esse detalhe, o Rembrandt fica no setor tal.

É o fim da picada. Não sei se vocês perceberam, voltei a um assunto que já é velho por aqui: a mania de se dar valor ao produto roubado, ao caminhão de carga desviada, ao pacote de maconha, ao lote de cocaína. Tudo tem preço de etiqueta: 100 milhões, 10 milhões, 60 milhões.

Esse costume de nossa imprensa vem transformando estudantes em “mulas”, motoristas de caminhão em piratas da estrada, desempregados em assaltantes. Esse é um fator exclusivamente atribuído à mídia.

Certa vez, escrevi que quando a imprensa não faz a contabilidade do crime, dando valores às quinquilharias, ensina o jeito melhor de assaltar um consultório médico e um condomínio de luxo. Afinal, onde mais se pode ler que um ladrão bem vestido, gravata, articulado marcou consulta com uma dermatologista e, uma vez atendido, “levou-a” num tour pela cidade sacando todos os limites de seu cartão de crédito? Na mídia.

Os ladrões, agradecidos, não-só repetiram essa estratégia como a melhoraram com muito valor agregado.

Foi também na imprensa que aprendi que camionetas Hylux, Land-Rover, Troller e Toyotas são mais vendáveis no Paraguai do que os carros domésticos. Fiquei sabendo até alguns valores que se pagam na Bolívia por essas preciosidades. Recebi a dica de que os bolivianos nem precisam dos documentos do veículo. Pra que o receptador boliviano vai precisar disso?

Lembram-se do golpe do seguro? O próprio dono do veículo o leva até a Bolívia, vende-o e denuncia o roubo no interior de São Paulo. Trinta dias depois, recebe o seguro e fica rindo de nossa cara. Aprendeu onde? Aqui, no jornal. Entendeu?