Pé nos fundilhos
A capa de “Veja”, com um pé sujo de petróleo nos fundilhos do Presidente Lula poderia ter lavado minha alma. Afinal é exatamente assim que o vejo, escorraçado, expulso, banido da Bolívia, com a dignidade no chão, pisoteada pelo “companheiro” Evo, explorado, vilipendiado, enganado miseravelmente pelo “companheiro” Chavez, com ajuda do velho “companheiro” Fidel.
Quer dizer, todo mundo era companheiro até a hora de meter o pé, desculpe-me a palavra, no rabo do presidente brasileiro e, por extensão, no rabo de todos os brasileiros. Fui ao guarda-roupa, uma a uma, minhas calças tinham o mesmo sinal de bota suja de petróleo nos fundilhos. Foi como se “Veja” tivesse visto todas as minhas calças!
Sinto-me enganado. Sinto-me sem governo. Sinto-me lesado como brasileiro, como sul-mato-grossense, como sul-americano. Ontem, piorou meu humor, ouvindo Lula falando bobagens, não dizendo coisa com coisa, afirmando que “o prejuízo será absorvido pela Petrobrás”, que “não haverá aumento para o consumidor”.
Pior do que a safadeza da trinca Chavez, Fidel e Morales é saber que não temos Presidente nem política exterior, não somos respeitados. Pior, pior, mesmo, é saber que não houve, sequer, traição. Morales disse nas barbas de Lula que iria nacionalizar os recursos naturais da Bolívia. Era sua plataforma de campanha!
Agora, sabemos que advogados e técnicos venezuelanos cruzavam os céus da América do Sul para ajudar a Bolívia a bifar o gás brasileiro e nem um araponga de fundo de quintal, desses que vivem bisbilhotando a vida dos brasileiros comuns, conseguiu descobrir que havia algo mais acontecendo no país vizinho.
Como é ruim ver o seu país ser ridicularizado em todos os jornais do mundo enquanto seu presidente faz campanha capitalizando bolsa-escola, bolsa-família pelo interior, entre multidões que nem sabem para que lado fica a Bolívia.
Por falar nisso, o destino é, mesmo, brincalhão. O Cônsul boliviano em Campo Grande conseguiu dar o nome da Bolívia a uma praça local e pediu a empresários, por meio de suas entidades, algumas lixeiras para instalar no local. O que menos os empresários sérios do país querem saber é de uma praça com o nome da Bolívia. Não é culpa do Cônsul, que se bateu por esse projeto antes da eleição de Evo Morales, mas, decididamente, não é um bom momento para essa praça.
Um empresário presente à reunião em que foi lido o pedido de apoio para inauguração da praça sugeriu uma resposta curta e objetiva: indeferida a ajuda porque ultimamente estamos sem gás...
Brincadeira à parte, Lula não tem o que dizer dessa trapaça. Foi transformado em fantoche de Chavez, que pensa o Brasil como quintal da Venezuela, que nos considera, a 180 milhões de brasileiros, todos imbecis. Não temos defesa, temos um pobre-coitado na presidência, que sequer sabe articular uma frase que faça sentido.
Outro dia ouvi, não me disseram, que Lula não iria fazer na Bolívia o que os Estados Unidos fizeram no Iraque. Que comparação canhestra, que pobreza de imagem e de espírito! Deveria fazer. É nisso, aliás, que dá ficar brincando de “líder continental”.
Vai dar prejuízo à Petrobrás, sim. Vai aumentar o gás para o consumidor, sim. Vão fazer gozações contra nós, sim. Sobre isso, é bom lembrar que a Petrobrás é useira e vezeira de mandar a conta para o consumidor e de fazer trapaças contra o brasileiro.
Quem não se lembra das incontáveis vezes em que a companhia divulgou descobertas de novas jazidas (pagas com dinheiro do consumidor), que houve novo recorde de prospecção, que jorrou petróleo aqui e acolá e, no entanto, o preço sempre sobe nas bombas de combustível?
Quem não se lembra dos contratos superfaturados para pagar propinas a Silvio Pereira, esse mesmo que anda repaginando suas denúncias contra o comandante Lula, as plataformas afundadas por incompetência gerencial? Quem duvida de que esses prejuízos vieram para a nossa conta? Aqui ninguém. Só do outro lado daquele programa de rádio é que há um bobo da corte se enganando e lambendo as feridas.
Chega de falar sobre isso. Não confio em quem não vê, não lê, não ouve. Não confio em Lula, ponto final.
