Seul, Coréia do Sul, 6 de Fevereiro de 2006
Pela TV, como em todo o mundo, o assunto são os cartoons da Dinamarca, mexendo com Maomé. Uma quebradeira infernal, mostrando que alguém brincou com fogo. O problema que se destaca nessa crise é que os árabes podem, em nome de Alah, detonar prédios, pontes, restaurantes e aeroportos. Esse é o jeito dos homens-bomba. Aos ocidentais cabe aceitar e se calar. Nem mesmo um cartoon pode ser publicado que ofende a comunidade muçulmana. Dois pesos, duas medidas.
O seminário caminha para seu encerramento e deixou várias lições. A mais importante delas e que há milhões de dólares investidos ao redor do mundo em obras sociais, educacionais e esportivas, promovendo a paz ou, simplesmente, promovendo a comunidade do Reverendo Moon.
Os países que convivem com o grupo, absorvem o investimento e aproveitam as obras que são construídas - estádio, ginásios, centros de convenções, hotéis, escolas e teatros. No Brasil, por medo dos coreanos, ficamos sem nada, enquanto outros grupos religiosos, sejam católicos, Universal, Renascer, Graça ou seja lá o que for, compram teatros e cinemas e transformam em igreja.
As nossas madrugadas estão infestadas de pastores pregando isso ou aquilo, amaldiçoando o mal ou, simplesmente, atrapalhando o repouso do demônio, que, ao ser expulso, procura outra pessoa para se instalar e justificar mais uma madrugada de imprecações. Esses ramos religiosos são do bem, o Reverendo Moon é do mal.
No entanto, o que vejo - inclusive disseram-se que uma dessas igrejas já está na Venezuela, atraindo milhares de pobres para uma missão qualquer no meio da floresta - e que as igrejas não deixam nenhuma obra duradoura atrás de si, a não ser seus templos com ar condicionado e seus canais de TV. O que fazem de bom para a humanidade?
Hospitais clamam por recursos, entupidos de doentes que nos lembram um horroroso Vietnam e o que fazem as igrejas? Expulsam demônios na madrugada, arrecadam dinheiro dos que mais precisam de seus trocados e aumentam suas fortunas. Onde vamos parar?
O que vi, no seminário, é que países mais desenvolvidos do que o Brasil (País de Gales, Inglaterra, Estados Unidos, Japão e a própria Coréia do Sul) abriram as portas para os investimentos - religiosos ou não - do Reverendo Moon e os sinais de sua passagem estão em toda parte. São coisas concretas. São empreendimentos que estão gerando frutos em educação e cultura (dos Estados Unidos para o mundo o grupo investe na formação de bailarinos para os melhores teatros mundiais).
No Mato Grosso do Sul, fechamos seus hotéis, anulamos seus investimentos, o próprio Ministério Público matou milhares de mudas de árvores frutíferas, flores, plantas medicinais, simplesmente fechando uma estufa de pesquisa mantida pelo grupo. Nove anos de pesquisa com frutas do cerrado serviram para nada, já que os pesquisadores foram chamados à Coréia do Sul. Desistiram, simplesmente, de nós. Sobrou para o Estado, ao invés de milhões de dólares, algumas multas ridículas que quando forem recebidas, serão investidas em corrupção, custeio de campanhas políticas ou sei lá o que.
É o jeito Brasil de ser.

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