6.2.06

Seul, Coréia do Sul, 4 de Fevereiro de 2006

Conhecemos ontem o Seminário Teológico Ecumênico do Grupo Moon. Há budistas, evangélicos, católicos, judeus, muçulmanos, asiáticos ensinando. Coisa de doido. O objetivo do seminário é dar um painel aos pós-graduandos (o seminário funciona só como pós-graduação) sobre as religiões do mundo, já que o movimento se denomina de unificação.

Almoçamos no hospital (que já tínhamos visitado no primeiro dia) e conhecemos alguns detalhes mais. Estão testando o tratamento do câncer com selênio e, como disse também, aqui está reunido o que há de melhor na medicina oriental e ocidental. As duas são aplicadas. Mais parece um hotel do que um hospital, o que demonstra o máximo em termos de humanização.

Há um centro de eventos para jovens e adultos, onde há jovens do mundo todo estudando os princípios de Moon sobre educação e família. À noite, após o banquete de celebração do 87o aniversário do reverendo, foi apresentado um concerto com músicos da própria escola de artes do centro para jovens. É algo grandioso, como tudo por aqui. Anfiteatros, centro esportivo, restaurantes, centros de convivência.

Acho que os jovens voltam meio desorientados para a pobreza de seus paises (sim, há gente da Etiópia, do Haiti, do Oriente Médio, Eslovênia, Rússia e boa parte da América Latina). O choque deles com a civilização - imagino - deve ser brutal.

Mais abaixo, há um prédio enorme - que não visitamos - onde foram construídos apartamentos para pessoas de idade avançada, com centro de atividades, apresentações de teatro, clínicas geriátricas, centros de nutrição, sala de jogos e tudo o que os velhinhos precisam para amenizar sua caminhada para o último dia. Pela idade do próprio Moon, a qualidade do tratamento estica ao máximo esse encontro com o imponderável.

Destoou um pouco a construção do Palácio do Reverendo Moon, qualquer coisa de fantástico, no topo de uma montanha. Puro mármore, granito e muito luxo, com inauguração prevista para abril próximo. A opinião era mais ou menos a mesma entre os visitantes: destoa um pouco do discurso da paz universal, mas é assunto para outras conversas com os nossos anfitriões.

Nessa visita, fiquei sabendo por um advogado venezuelano que a igreja Universal está na Venezuela atraindo milhares e milhares de pobres, com as mesmas mensagens televisivas e um tipo de igreja da floresta que em tudo por tudo me pareceu um novo caso Jim Jones, que levou centenas de pobres-diabos ao suicídio coletivo nas Guianas. O pastor é um brasileiro. Preciso checar com alguns amigos da Universal se isso é verdade.

O problema é que há muita gente desesperada para acreditar em alguma coisa e centenas de aproveitadores para oferecer visões celestiais de todos os matizes. A questão religiosa me preocupa, de todo modo.

Amanhã vamos tentar visitar a zona desmilitarizada, entre as duas Coréias. Essa zona divide uma Coréia supertecnológica e rica de outra que tem bomba atômica, mas mata seus nacionais de fome e nas trevas do atraso.