6.2.06

Seul, Coréia do Sul, 5 de Fevereiro de 2006

DOMINGO COREANO. Aproveito um pedaço do domingo para dar uma olhada num terminal de ônibus urbano. Estou olhando o granito, o luxo, as máquinas de tickets automáticos e os guichês, os coletivos, a movimentação. Por aqui, não se concebe construir uma rodoviária sem que ela mesma se converta em um centro de atração, negócios, boutique, restaurantes, muitos restaurantes. O mais incrível é que, seja domingo, seja dia de semana, todos os restaurantes têm gente.

Opinião unânime dos que estão comigo por aqui: nunca vimos uma cidade com tantos restaurantes. O problema é que o coreano não volta para comer em casa, praticamente emenda o seu dia. Na hora do almoço, vão a uma casa de banhos, que já é uma atração em si. Normalmente, vão com os filhos pequenos, ali almoçam e têm um lugar com colchonetes para dormir, ao som de música ambiente. Boa música, comparada com a música japonesa. Quase sempre, clássicos normais de Bach, Brahms, etc.

HIGIENE NOTA DEZ. Para não ficar repetindo, o que se vê em todo lugar é um asseio quase doentio. Não há papéis pelo chão e, surpreendentemente, todos os lugares isolaram seus fumantes, nos "fumódromos". No mesmo complexo de ônibus há lojas para todos os gostos, dependendo do andar em que você está. Há um grande mercado de peixes, frutas, frutos do mar, verduras e comida pronta. Aqui os coreanos se esbaldam e, mais uma vez, fogem de casa.

De modo geral, pelo que vi, não é difícil fugir de casa por aqui, já que os apartamentos são minúsculos, funcionais, com muito pouco espaço para lazer ou convivência. Assim, toda a cultura se volta para os centros de convivência, saunas, restaurantes, shoppings. As escolas, que são no regime de internato (all day), têm ensino, lazer, alimentação, noções de higiene para as crianças, permitindo aos pais terem uma rotina completamente diferente.

COMPRAS. Os preços - ah, os preços - são na lua. Por aqui não se pode brincar. 100 mil wuans equivalem a 110 dólares e qualquer blusinha por aqui custa 150 dólares ou mais. Não há concessões. Um livro de arte, por exemplo, custa 50 dólares, o que é um espanto. Mas a livraria que vi agora pela manhã, em pleno domingo, está lotada, lotada. Compra-se muita literatura por aqui.

TEMPO INFORMATIZADO. No momento estou controlando meu tempo, pois aqui tudo é informatizado. Se você não deixa o seu apartamento ao meio-dia, um minuto depois sua chave e completamente inútil. Você tem de ir até o saguão e explicar, preencher formulários, pedir desculpas e pagar uma multa qualquer. Coisa da informática. Como já me aconteceu no hotel anterior, tenho de ficar esperto.

Deixo para depois minha impressão sobre a fronteira das duas Coréias. Bom domingo por aí.