Seul, Coréia do Sul, 3 de Fevereiro de 2006
Fui ao interior, durante o dia todo. Tanto em Seul quanto no interior e nas pequenas cidades, nas beiras de estradas há estufas a perder de vista. Por isso, aqui já se resolveu esse negócio de estações do ano e entressafra, que simplesmente, não existe. Há arroz, verduras, legumes, flores o ano todo. Basta programar as estufas. E claro que isso implica um consumo fantástico de energia, mas aqui não há falta de gás, petróleo, carvão e energia nuclear. Pode-se dizer que cada um anda com sua pequena bomba pra lá e pra cá. Quando a pastilha descarrega, vai-se a uma usina e pronto. Coisa de doido.
O progresso também tem seus problemas: como todo mundo tem um carro, todo mundo anda com seu carro e aí a coisa emperra em algumas horas do dia, embora o transporte coletivo seja um dos melhores do mundo, ao que vi. Metrô e ônibus novos.
Brinquei com alguns colegas de caravana que em lugares como este, é melhor perguntar onde estão os pobres, desempregados, favelados, que não vemos mas nosso espírito terceiro-mundista diz que existem em algum lugar. Vou me lembrar de perguntar amanhã.
Os prédios - condomínios verticais - são a forma de vida por aqui. Quase não se vêem residências. Em cada apartamento um ar condicionado. Não tem perdão, pois não se libera um prédio sem esse aparelho.
Fomos a um evento em que, pasme o leitor, foram colocadas em um ginásio coberto, em cadeiras confortáveis, 70 mil pessoas. Não falo daqueles ginásios com arquibancadas de cimento ou coisa parecida. Trata-se do KINTEX - Korea International Expositions, uma cidade dentro da cidade. O mais impressionante é que as pessoas foram chegando em centenas de ônibus e foram, simplesmente, acomodadas, sem tumulto, sem guerra, sem sujeira. Vi, estava lá, sentei-me no meio deles, mas ainda não acredito no que vi.
Antes de terminar, duas curiosidades: por aqui, como a comida (especialmente o arroz) é considerada um bem precioso, é grandemente condenável deixar sobra no prato. Melhor medir bem o que você vai comer e limitar-se a isso. Coisas de país que passou por uma guerra cruel e cujo povo passou por fome anos a fio. O Brasil, como não viu guerra, tem aquele desperdício que vocês conhecem.
A outra e que aqui não se vende água. É simplesmente proibido vender água (não me perguntem por quê). Serve-se água em todo lugar, no frigobar do hotel dezenas de garrafas de água mineral, no restaurante o garçom serve a toda hora. Água, mais água. Não se vende. Vou tentar descobrir de onde surgiu esse costume aquático.

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