Remédio contra o atraso
No caso do ônibus, os passageiros vão atirando suas moedas, embarcando e desembarcando. Poderia alguém pagar menos e ficar por isso mesmo? O motorista nem olhou para o passageiro e uma moeda de 20 W faz o mesmo barulho do que uma de 50. Meu guia e amigo coreano me diz que a eles, sul-coreanos é inconcebível “não pagar” o valor exato no ônibus ou na jornaleira automática. Por isso é difícil até discutir com eles, pois isso está acima de especulações.
Na verdade, diz ele, o coreano sente-se pagando o que é dele mesmo, para manter o sistema. Ele pensa aquele ônibus ou metrô como propriedade sua, não como um comerciante que vive de transporte.
No caso dos ônibus especiais – o que faz o trajeto para o aeroporto, por exemplo -, em que se paga com cédulas, eu devia depositar nossas passagens num total de 18 W e não tive duvidas: joguei lá no cofrinho duas notas de dez e fui me sentar ao fundo, com o resto do pessoal. Não sei se há algum sensor ou foi golpe de mágica, pois o motorista me passou, logo depois, duas notas de troco. Como ficou sabendo? Sei lá.
Ainda sobre transporte – repito que a Coréia do Sul tem mais de 6 fábricas de veículos, entre caminhões, tratores e automóveis de luxo ou utilitários. Bem, você já conhece essa história e também já ouviu falar de Kia, Hyundai, Daewoo, entre outras. Pois saiba que essas fábricas produzem veículos para o mundo todo, além de favorecer três outros fatores que pude constatar: primeiro, a Coréia do Sul não precisa dos carros americanos, japoneses ou quaisquer outros, já que tem seu próprio carro nacional de ótima qualidade; segundo, comprando carros coreanos (lá vem o ritual novamente), o cidadão sabe que está fortalecendo seu país e seus produtos; e, finalmente, isso permite que a frota esteja sempre nova – em Seul o carro faz cinco anos e sai de circulação (vai para o interior, de menos densidade demográfica. Ou, como disse um amigo brincalhão, os carros acima de 5 anos são encaminhados para o Chile.
Bem, o Brasil só tem multinacionais de automóveis – nenhuma delas é brasileira genuína – e banqueiros que assaltam a poupança alheia para emprestar a partidos políticos, maus políticos, a juros extorsivos.
Infelizmente, como sempre na contra-mão da história, o Brasil proíbe nossos computadores e carros importados, dizendo que estamos atraindo investimentos no setor que precisa ser incentivado. Por isso, lembramos que quando saímos da famigerada Lei de Reserva de Mercado estávamos tão atrasados, tão defasados que hoje nem adianta tentar do assunto. Perdemos o bonde rumo ao futuro.
Talvez por isso aquela tela de plasma de 500 dólares nos vá custar 9 mil reais, na maior cara de pau. Tudo graças aos senhores do atraso.

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